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Por Regina Yamamoto


Olá meu nome é Regina, estou “aprendendo” a ser Terapeuta Ocupacional, estou tentando entender melhor, com mais profundidade o que é a função humana, qual é a importância, e que importância! Como é importante a funcionalidade na vida do ser humano, o fazer, o produzir, deixar nossa marca na vida, nossa e de nosso entorno, estarmos felizes e realizados. E neste contexto vem com muita força as palavras cuidar-cuidador, pois de uma certa forma as nossas funções estão sempre a serviço de um cuidado, seja para nos sentirmos bem e confortaveis em nosso dia a dia, quando auxiliamos outras pessoas por impossibilidades diversas ou por gentileza, solidariedade, enfim cuidamos, somos cuidados. Os Terapeutas Ocupacionais sozinhos ou em equipe com outros profissionais, cuidam, orientam, adaptam, readaptam sobre os desempenhos ocupacionais humanos, sejam nas areas de auto cuidado, social, no trabalho, lazer e no aparecimento de incapacidades, por acidentes ou doença, diante disto havemos de desenvolver “olhares” diferenciados para cada cenário e personagem, afinal somos unicos. Então sem mais delongas eis o motivo da escolha deste texto sobre os Terapeutas de Alexandria, como voces poderão constatar ao le-lo, cuidar é uma grande qualidade humana, uma pratica antiga e que demanda muitas habilidades intrinsecas a nós seres humanos, espero que gostem.


Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino de Jean-Yves Leloup -


Fonte: http://www.jeanyvesleloup.com/br/texte.php?type_txt=0&ref_txt=86 10/02/2013


Uma Escola do Olhar


Eis a importância da prática da transdisciplinaridade . Saber que há diferentes pontos de vista sobre uma mesma realidade. E que precisamos de todos eles para ver melhor.


Os Antigos Terapeutas [de Alexandria] buscavam despertar, em si, o que chamamos o olho do Querubim. O Querubim, na tradição antiga, é um estado de visão, representado como asas repletas de olhos. Essa imagem é encontrada em diversas culturas, particularmente na tradição da Etiópia, onde há querubins nos tetos das igrejas: olhos que nos olham.


Certa vez, quando adoeci na Etiópia, fiquei surpreso ao ver um médico me dar um pequeno rolinho e dizer: - Seu remédio. Ao desenrolar vi que havia nele asas com olhos. Tocou-me profundamente porque compreendi que tratava-se de colocar outro olhar sobre a doença.


Há a visão do médico, do psicólogo, dos amigos, mas há também o olhar do Anjo. Esse olhar que vê o que acontece segundo um outro ponto de vista, de outra profundidade e que contempla a nossa doença ou sintomas não somente como os olhos humanos são capazes.


Então pode se abrir, talvez, uma outra interpretação sobre aquilo que nos ocorre.


Assim, convido-o a imaginar um olho, com facetas, como o de uma abelha. Como ele nos veria nesse momento? Não tem nada a ver com a nossa maneira habitual de olhar. Ou um cavalo – você já pensou em mirar alguém com o olhar de um cavalo? Aparecemos com uma forma completamente diferente. Trago essas imagens para nos lembrar que a visão do mundo que temos é ligada ao nosso instrumento de percepção e no olho de um cavalo ou de uma abelha há todo um outro mundo. A maneira de ver alguém pode mudar, segundo a qualidade do nosso olhar.


Então, a tarefa é despertar em nós essas diferentes facetas. Isso me faz pensar nas diferentes áreas do cérebro, nas diferentes capacidades de apreender o mundo.


Vou propor o olhar dos Antigos Terapeutas que possui sete olhos. Geralmente paramos no terceiro olho.


O primeiro olhar é o do ver – eu vejo.


O segundo é o olhar da ciência – eu observo, eu analiso. E´um olhar apoiado, aprofundado.


O terceiro olhar é o que pergunta – eu interrogo. O que é esse sintoma? O que ele manifesta? O quê? O que é?


O quarto olhar é o que se pergunta – eu me interrogo. Como é que eu vejo? E´o olho da filosofia metafísica. O que é o Ser? O que é o ser humano? Trata-se do como eu conheço.Esta é a filosofia de Kant , por exemplo, que se interroga sobre como a ciência é possível. Euconheço muitas coisas, mas não apreendo o instrumento através do qual eu conheço ascoisas. Para um Terapeuta há uma questão muito importante: Qual é o instrumento por meiodo qual ele conhece o outro e interpreta sua doença? E´necessário purificar este instrumentoe ver que, segundo o modo de percepção que adotamos, a realidade dos sintomas pode sercompletamente diferente. Não somente interrogo o real, esse corpo que acompanho, mastambém sobre minha maneira de conhece-lo.


O quinto olhar se abre para o sentido – eu acolho o sentido. Por intermédio dos sintomas,dos sonhos, da fala, simplesmente acolho o sentido, antes de interpreta-lo.


O sexto olhar é o da interpretação – eu interpreto. Essa interpretação pode ser criadora.


Após o exercício de todos esses olhos da observação, da análise, da interrogação, da escutaacolhedora, me torno capaz de interpretar e dar um sentido ao que a pessoa está vivendo.


O sétimo olhar é o que direciona e liberta – vá com sentido! Da mesma maneira quedizemos:- Vá com Deus! Poderíamos dizer: - Vá com sentido! Vá com a interpretação da suadoença, não apenas na sua dimensão mental; também com os meios de cura-la, de cuidarde você. Essa é a grande palavra dos Terapeutas: Vá em direção a você mesmo, eu estoucom você! Esta foi a palavra de Deus dirigida a Abraão.